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Peça Minas de Conceição Evaristo

20/10/2017

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O espetáculo “Minas de Conceição Evaristo” apresenta a obra poética da escritora mimeira Conceição Evaristo. Em cena, as atrizes e cantoras desvendam toda a riqueza de um universo feminino que reúne poesias do livro “Poemas da Recordação e Outros Movimentos”. É um espetáculo multinterativo com trilha sonora executada ao vivo composta por diferentes ritmos e vídeo mapping.

O projeto “Minas de Conceição Evaristo” surge para apresentar ao público, de uma forma diferente, um pouco mais sobre a obra e trajetória dessa escritora mineira que nasceu em uma família de mulheres negras cozinheiras, faxineiras e empregadas domésticas. Segunda de nove irmãos, a escritora que, completou 70 anos em novembro de 2016, diz que em sua infância não viveu na pobreza, mas a própria miséria na favela do Pendura Saia, encravada no alto da Avenida Afonso Pena, hoje área nobre de Belo Horizonte. Nesse universo, de mãe e tias, ouviu muitas histórias e inventou outras tantas, pois a ficção era indispensável à sua sobrevivência, uma forma de sublimar a realidade. Desse lugar de mulher, negra e de origem pobre é que Conceição Evaristo escreve. Estreou em 1990 com obras publicadas nos Cadernos Negros (Ed. Quilombhoje) em 2003 publicou o romance “Ponciá Vicênio” (Ed. Maza), lançado nos Estados Unidos, na França e em breve no México. Com o livro de contos “Olhos d'água” (Ed. Pallas), em 2015, ganhou o Prêmio Jabuti na categoria contos. Também é autora dos livros de contos “Insubmissas lágrimas de mulheres”, “Histórias de leves enganos e parecenças”, o romance “Becos da Memória”, e o livro de poemas, no qual é composto esse espetáculo “Poemas da recordação e outros movimentos”. Em todos os seus trabalhos estão presentes a crítica social e a religiosidade, que ela prefere chamar de ancestralidade. O mistério e o encantamento são os fios que ligam sempre a sua escrita. A própria escritora nos revela em uma entrevista publicada na internet o seguinte: “Não nasci rodeada de livros, mas rodeada de palavras. Havia toda uma herança das culturas africanas de contação de histórias. Minha mãe fazia bonecas de pano ou de capim para mim e minhas irmãs e ia inventando tramas. Ela recolhia livros e revistas e mostrava para nós, mesmo sem saber ler. Víamos as figuras e inventávamos novas histórias. Meu interesse pela literatura nasce daí”. É desse interesse pela literatura que queremos levar para o público o prazer em ler, em fazer arte, em construir novos pensamentos e reconhecer os nossos autores. Além da proposta teatral, em cena faremos o elo com a linguagem do video mapping. Com essa técnica os artistas realizam projeções em superfícies não lineares para criar uma espécie de ilusão ótica, reconstruído os espaços com formas e movimentos, luzes e cores. No caso do espetáculo “Minas de Conceição Evaristo” a interação ocorre por meio de imagens que remetem a um passado não tão distante, as cenas que se contrapõe durante a apresentação tomam vida e junto com as atrizes levam o público a um momento de imersão no universo tão particular das Minas de Conceição Evaristo.